• Bruno Machado

A trajetória do CIO e o seu papel na jornada de transformação digital

Como o papel deste executivo vem mudando ao longo dos últimos anos?



Para entender o papel do CIO (Chief Information Officer) na jornada de transformação digital é importante resgatar a sua trajetória ao longo das últimas décadas e compreender seus desafios nos dias de hoje.


O termo “CIO” foi cunhado no início dos anos 80, porém a trajetória que levou à sua criação teve origem na década de 60, com a implementação dos mainframes — em especial o IBM System/360 — nos centros de processamento de dados das empresas (CPDs).


Tendo em vista a relevância do investimento das empresas nos mainframes, fazia-se necessário um profissional para liderar a implementação e assegurar a operação dos mesmos. Este primeiro desafio, eminentemente técnico, é o antepassado mais remoto do atual Chief Information Officer.


No universo tecnológico elementar dos mainframes— ainda sem os computadores pessoais e principalmente sem a internet — cabia ao “gestor do CPD” a garantia do funcionamento dessa tecnologia e, por consequência, o retorno sobre o investimento nessas dispendiosas máquinas. Foi este foco inicial exclusivo em eficiência que fez com que estes gestores se reportassem às lideranças de finanças, uma herança que os futuros CIOs levariam anos para superar.


A importância secundária dada ao gestor do CPD só começou a mudar com o uso de tecnologia da informação (TI) para além das centrais de processamento, algo que só foi possível com o advento da computação distribuída.


Com esta nova era — marcada pela evolução dos microprocessadores, pelos sistemas operacionais com interface gráfica e a adoção de computadores desktop nas organizações — o dia a dia da área de tecnologia, estrutura que sucedeu o CPD, começou a mudar substancialmente.


À medida que os mainframes se tornavam obsoletos, o desafio das empresas passava a ser selecionar, implementar e manter o melhor ecossistema de hardware, software e rede para obter as vantagens dessa nova forma de operação.


Com isso, a tecnologia da informação, que até então era um tema acessório e relegado às lideranças intermediárias, passou a ser considerado estratégico para o desempenho das empresas.


Essa importância estratégica logo se traduziu em mudanças organizacionais que favoreceram a TI, proporcionando assim a sua ascensão ao corpo de diretores executivos. Como resultado desse processo de amadurecimento, já no início dos anos 80, o papel do Chief Information Officer foi instituído e legitimado com a missão de conectar a tecnologia ao negócio das empresas.


Já na década seguinte, uma mudança ainda mais impactante traria novos desafios ao CIO — começava a era da internet!


Com a internet, a ambição para o uso da tecnologia passou a compreender a comercialização de produtos e serviços pela rede mundial de computadores, expandindo as ofertas, canais e modelos de negócio. Toda empresa queria ser relevante neste novo ambiente.


Como exemplo dessa euforia, vivemos entre a segunda metade dos anos 90 e o início dos anos 2000 uma verdadeira corrida do ouro digital, com expectativas infladas, seguidas pelo grande vale da desilusão com o estouro da bolha da internet.


De toda forma, estava claro com a internet e tudo que surgiu a partir dela — como smartphones e mídias sociais — que nada seria como antes e as lideranças que se destacassem neste novo ambiente teriam um protagonismo cada vez maior nas empresas. Iniciava-se mais um ciclo próspero para os CIOs.


No entanto, nem todas as empresas tiveram exito na absorção das seguidas ondas tecnológicas que surgiram a partir da internet. Os CIOs se viram diante de uma profusão de iniciativas de TI, que exigiam cada vez mais recursos, esforços de coordenação e nem sempre resultavam em ganhos efetivos.


Não obstante ao desafio de implementação dos projetos, a pressão nas empresas aumentava com competição com as startups e as gigantes de tecnologia; à medida que estas se colocavam como alternativas mais ágeis e acessíveis.


Chegamos então aos dias de hoje, caracterizados pela disposição das grandes empresas — ditas incumbentes — para reagirem a este cenário competitivo e dinâmico, que foi ainda mais agravado pela pandemia da Covid-19.


Tendo disto isto, a pergunta que gostaria de colocar é a seguinte: qual o papel do CIO na jornada de transformação digital?

Indubitavelmente, o CIO é o candidato natural a liderar este processo.


No entanto, é importante ressaltar que este obstinado profissional vem acumulando consigo, ao longo dos anos, diversas responsabilidades que já seriam suficientes para justificar sua posição executiva.


Para muitos CIOs, portanto, assumir sozinho este novo desafio de transformação pode ser um fardo muito grande e algumas empresas têm adotado papéis complementares para essa missão, como o Chief Technology (or Technical) Officer (CTO) e o Chief Digital Officer (CDO).


Tendo vivido tanto a experiência de liderar a transformação na posição CIO como também em outro papel, a minha resposta para essa pergunta ainda é incerta.


Acredito que o tema requer uma avaliação mais consistente, exigindo um período de observação maior, levando em consideração o momento de cada empresa e setor de mercado.


Não cabe portando uma resposta única, universal e que possa ser ampliada como regra. O meu convite final é para que cada empresa e profissional experimentem os modelos que entendam como mais adequados para o seu contexto. O aprendizado ao longo deste processo levará naturalmente ao melhor arranjo organizacional.


Fiquem bem! Sigam na jornada de transformação!

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