• Bruno Machado

O pensamento Lean como base para a transformação digital

Entenda a importância do Lean para o programa de transformação

Posso dizer que comecei a minha jornada de transformação em 2015, quando tive o primeiro contato com o pensamento Lean por intermédio do SOMAR, um grupo de benchmark para centrais de serviços compartilhados de grandes empresas. Através deste grupo, chegamos ao Instituto Lean Brasil.


Naquela oportunidade eu desempenhava o papel de diretor do escritório corporativo de projetos, o famoso project management office (PMO), em uma empresa de educação e o nosso desafio era disseminar uma cultura de empoderamento das pessoas que trabalhavam na ponta para resolverem os problemas dos clientes.


Antes disso — em 2012 — eu já havia feito um ensaio do que viria a ser chamado de transformação digital, tendo como experiências a consultoria de melhoria contínua realizada pelo Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) e o programa de certificação Scrum Master realizado junto à Scrum Alliance.


O meu “aha moment de transformação” se deu, assim como mencionado no início do texto, no momento em que fui apresentado aos princípios Lean: identificar o valor, mapear a cadeia de valor, criar o fluxo de valor, puxar (fluxo puxado pelo cliente) e buscar a perfeição (melhoria contínua).


Essa experiência de ter trabalhado em projetos Lean — aplicando os conceitos de eficiência de fluxo, o pensamento A3 e a prática de ir ao gemba (local onde as coisas acontecem)— e com equipes multidisciplinares (ainda não se denominavam squads) me deram o impulso necessário para fazer, definitivamente, a transição do pensamento “comando e controle”, muito comum no “mundo PMO”, para um modelo o mais colaborativo e experimental; elementos predominantes nos movimentos de agilidade e transformação digital que começavam a ganhar força.


Dada a essa minha trajetória, a conexão entre pensamento Lean e as outras abordagens que se seguiramsobretudo com o design thinking, os princípios ágeis e as práticas DevOpsfoi quase imediata. Era como se as peças de um quebra-cabeças se juntassem e deixassem claro a mensagem de que o paradigma do comando e controle estava definitivamente superado, cedendo espaço para a colaboração e experimentação.


Percebi que o Lean era a base para boa parte das novas metodologias colaborativas, sendo que cada uma cobria um diferente aspecto da organização, como por exemplo, agilidade organizacional (business agility), processo de desenvolvimento (agile), liberação de software (devops), desenvolvimento de produtos (design thinking), que fazem parte dos pilares dos programas que hoje são chamados de transformação digital.


Além disso, o próprio Instituto Lean Brasil começou a promover eventos que criavam conexões entre estas práticas—com destaque para Lean Digital Summit — e a realizar treinamentos como o TI Lean: Rumo a uma transformação digital.


Do mesmo modo, algumas consultorias originalmente associadas apenas ao desenvolvimento ágil de software — como a Thoughtworks, Ci&T e DTI Digital — passaram a incorporam explicitamente o pensamento Lean em suas ofertas de transformação digital. No caso da Ci&T, a empresa foi além e passou a denominar seu programa como transformação lean digital, sendo uma importante promotora das práticas Lean no mercado.


Também nas empresas que estão se destacando em seus programas de transformação o pensamento Lean está presente, com destaque para a Magazine Luiza, Cielo, Pag Seguro e Vivo, que apresentaram seus cases no Lean Digital Summit 2019.


Em virtude destes argumentos e seus benefícios potenciais, considero essencial que os profissionais envolvidos na jornada de transformação, principalmente as lideranças, entendam o quão poderoso o pensamento Lean pode ser na promoção da mudança cultural na organização.


Além do mais, durante a implementação dos programas, muito se fala que a transformação não é tão somente tecnologia, mas principalmente sobre pessoas; e o lean as empodera à medida em que desenvolve a mentalidade de melhoria contínua e as instrumentaliza com ferramentas de resolução de problemas.


Por tudo isso, reitero que o pensamento Lean deve ser a base para os programas de transformação, expandindo os seus efeitos positivos para toda a organização. Já terá sido de grande valia a incorporação de ferramentas com o A3 e a prática de ir ao gemba, considerando que as mesmas irão contribuir para que a melhoria de processos ocorra a partir do ponto de vista do cliente.


Como última recomendação, sugiro a leitura das publicações sobre Lean, sendo que muitas delas estão disponíveis no site do Instituto Lean Brasil ou no blogs da ThoughtWorks Brasil e do LuizaLabs.


#fiquebem #fiqueemcasa

Conteúdo de transformação digital, framework de transformação e estratégia digital.

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